Você diz que o que importa é o
amanhã, mas eu sou inteirinho o passado. Sou tudo que aprontei, o que eu posso
fazer? O presente mal existe ele acaba a cada segundo. Você percebeu que agora
é passado o que estávamos chamando de futuro? Não vem com essa de deixar pra
trás, a gente não deixe nada, o que a gente faz é guardar o mais escondido
possível as besteiras que fizemos, para as vozes nas nossas cabeças ficarem
baixinhas e ser difícil lembrar o que passou, mas elas estão lá, você querendo
ou não. Por muito tempo eu tentei silenciar esse passado, mas agora eu deixo
falar, pra quem sabe lembrar como eu cheguei até aqui e tentar evitar que eu
repita alguns erros. Tudo bem, é ele que me lembra você, mas também é ele que
me coloca criança correndo no quintal da vó com joelhos ralados e coração
intacto. Eu sou as coisas que vivi! As boas e as ruins. E tem sim, um pouco de
você aqui. Afinal, não foi o quintal da minha vó que me fez poeta. – Bruno
Fontes
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